Coluna semanal do Edu #19 - Spiderman Brand New Day.
Spider-Man: Brand New Day talvez seja o filme mais maduro já feito sobre Peter Parker. Mais do que contar a história de um herói enfrentando um novo vilão, o longa fala sobre algo que quase todo jovem adulto experimenta em algum momento da vida: crescer significa, muitas vezes, descobrir que algumas batalhas precisarão ser enfrentadas sozinho.
Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro que Peter vive as consequências da escolha feita em No Way Home. Ninguém mais se lembra dele. MJ e Ned seguiram suas vidas, enquanto Peter permanece preso às memórias de um mundo que já não existe para mais ninguém. A solidão deixa de ser apenas uma consequência da vida de super-herói e passa a ser sua condição permanente.
Há uma cena especialmente dolorosa quando Peter observa, à distância, MJ vivendo sua rotina sem reconhecê-lo. Ele não interfere. Apenas observa. É um momento silencioso, mas que diz muito. Às vezes, crescer é entender que nem toda pessoa que marcou sua vida continuará caminhando ao seu lado. Algumas histórias terminam mesmo quando ainda existe amor, amizade ou saudade.
O filme também trabalha muito bem a pressão que recai sobre quem entra na vida adulta. Peter precisa pagar suas contas, encontrar um propósito, proteger Nova York e, ao mesmo tempo, lidar com um vazio emocional que parece não ter fim. Não existe mais uma Tia May para aconselhá-lo, nem Tony Stark para oferecer respostas, nem amigos para dividir o peso das decisões. Existe apenas ele.
Essa ideia fica ainda mais forte quando o roteiro reforça que Peter agora é um Homem-Aranha em tempo integral, vivendo anonimamente enquanto todos ao seu redor seguem em frente. A cidade continua exigindo que ele seja um herói, mesmo sem saber quem ele é ou quanto isso lhe custa.
Outro aspecto interessante é como o filme transforma a própria solidão em uma ameaça. Quanto mais Peter acredita que precisa carregar tudo sozinho, mais ele se aproxima de perder o controle. Sua transformação física acompanha sua transformação emocional: a raiva, o cansaço e a culpa começam a moldá-lo tanto quanto seus poderes. O verdadeiro inimigo deixa de ser apenas alguém para enfrentar em uma luta; passa a ser o peso de acreditar que pedir ajuda é sinal de fraqueza.
Existe ainda um detalhe simbólico muito bonito quando Peter reencontra pessoas importantes de seu passado. Mesmo sem se lembrarem dele, pequenos gestos demonstram que alguns laços sobrevivem à memória, como o aperto de mãos espontâneo entre Peter e Ned. O filme parece dizer que o afeto verdadeiro nunca desaparece completamente; às vezes ele apenas muda de forma.
No fim das contas, Spider-Man: Brand New Day fala menos sobre salvar Nova York e mais sobre sobreviver ao início da vida adulta. É sobre acordar todos os dias com a sensação de que ninguém entende o peso que você carrega. É sobre ver antigos amigos seguindo seus caminhos enquanto você ainda tenta descobrir o seu. É sobre sentir que o mundo exige maturidade imediata, mesmo quando você ainda está tentando juntar os próprios pedaços.
Talvez seja justamente por isso que Peter Parker continue sendo um personagem tão humano. Seus maiores poderes nunca foram lançar teias ou escalar paredes. Sempre foi continuar levantando depois de perder tudo. E Brand New Day nos lembra que crescer não significa deixar de sentir medo ou solidão. Significa seguir em frente apesar deles.
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