Coluna semanal do Edu #17 - Robin e Saul, o reencontro.

Edu Kawasashi 25/05/2026
Coluna semanal do Edu #17 - Robin e Saul, o reencontro.

Todo fã de One Piece tem aquela cena.

Aquela cena que fica guardada no peito. Que você lembra anos depois e ainda sente o impacto como se fosse a primeira vez.

Pra mim, muitas dessas cenas passam por Nico Robin.

Robin sempre foi minha personagem favorita, e talvez isso diga muito sobre o tipo de história que me pega. Enquanto muita gente olhava para as lutas, para os poderes ou para os grandes confrontos, eu sempre fui fisgado pela ideia de ter no meio daquele bando uma historiadora. Alguém que não lutava apenas contra inimigos físicos, mas contra o apagamento da memória, contra o silêncio, contra um mundo que decidiu que certas verdades nunca deveriam ser descobertas.

E quanto mais One Piece foi mostrando quem Robin realmente era, mais impossível ficou não se apegar a ela.

A menina que foi chamada de “criança demônio”.

A criança que viu sua ilha ser destruída.

A menina que perdeu a mãe, perdeu seus amigos, perdeu tudo… e ainda precisou fugir do mundo inteiro antes mesmo de entender o que estava acontecendo.

Robin não cresceu.

Robin sobreviveu.

E isso é diferente.

Depois vimos ela se tornar uma mulher fria, distante, quase sempre falando pouco, escondendo sentimentos atrás de um sorriso discreto. Passando por organizações criminosas, se tornando capanga do Crocodile, vivendo de um jeito que parecia mais sobrevivência do que vida.

Até chegarmos em Water 7.

E meu Deus…

Talvez ali esteja uma das cenas mais lindas da história dos animes.

Porque durante tanto tempo Robin parecia alguém que já tinha desistido. Uma mulher que acreditava que sua existência era um erro. Que carregava nas costas a tensão absurda de saber que o mundo inteiro queria vê-la morta não porque ela fez algo terrível…

Mas porque ela sabia demais.

Porque conhecimento, em One Piece, também é uma ameaça.

E então ela grita.

“EU QUERO VIVER!”

Não é só uma frase.

É uma explosão emocional.

É uma criança traumatizada finalmente deixando escapar tudo aquilo que ficou preso por anos. É Robin, pela primeira vez, pedindo ajuda. É Robin dizendo que no fundo… ela queria continuar.

E eu já tinha chorado ali.

Achava que One Piece já tinha me destruído o suficiente com essa personagem.

Mas aí veio o reencontro com Saul.

E sinceramente?

Eu chorei igual criança.

Sem exagero.

Porque não era só um reencontro.

Era o retorno de uma parte da infância que Robin achava que tinha perdido para sempre.

Saul foi a primeira pessoa que fez Robin rir de verdade em meio ao inferno. Foi quem disse para aquela criança solitária que um dia ela encontraria amigos. Que um dia ela não estaria mais sozinha.

Num mundo que só entregava dor, Saul foi calor.

Foi esperança.

Foi afeto.

Então quando aquele reencontro finalmente acontece, One Piece não está apenas reunindo dois personagens.

Está devolvendo algo que Robin perdeu em Ohara.

Está dando para aquela menina — que viveu décadas achando que o passado era só tragédia — a chance de tocar novamente um pedaço do amor que ela pensava estar morto.

E é impossível não sentir isso.

Porque Robin não chora só por rever Saul.

Robin chora porque, pela primeira vez, uma parte daquela criança ferida pode respirar.

E nós choramos junto.

Eu chorei junto.

Chorei igual criança vendo aquela cena porque One Piece faz isso quando está no seu melhor: ele não conta apenas histórias sobre piratas.

Ele fala sobre trauma.

Sobre perda.

Sobre memória.

Sobre gente quebrada tentando continuar vivendo.

E ver Robin — uma personagem que carregou tanta dor em silêncio — finalmente ter esse momento…

Cara…

Foi bonito demais.

Foi daquele tipo de cena que faz o coração apertar, os olhos encherem e te lembrar por que One Piece não é só um anime.

É uma história que entende a alma humana.

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