Coluna semanal do Edu #13 - Michael.

Edu Kawasashi13/05/2026
Coluna semanal do Edu #13 -  Michael.

Vou começar esse texto sendo totalmente sincero: eu esperava gostar do filme Michael, mas não esperava sair tão impactado quanto saí.

Talvez porque eu tenha entrado na sessão sem grandes expectativas. Vi o trailer uma única vez meses atrás, ignorei praticamente todas as atualizações depois disso e fui assistir quase “no automático” em um dia aleatório com a Sra. Edu. Só que bastaram os primeiros minutos para perceber que o filme queria ir além de uma simples homenagem nostálgica ao Rei do Pop.

E consegue.

O longa mergulha na trajetória de Michael Jackson desde os tempos do Jackson 5, mostrando não apenas o nascimento de um fenômeno mundial, mas também o peso absurdo que existia por trás daquele sorriso tímido e daquela voz única.

As cenas envolvendo o pai de Michael são algumas das mais fortes do filme. A cobrança constante, os ensaios intermináveis e a disciplina quase militar ajudam a construir exatamente aquilo que muitos relatos da vida real sempre apontaram: Michael foi treinado para ser perfeito desde criança. E o filme não suaviza isso.

Existe uma sensação constante de que estamos vendo um garoto brilhante sendo pressionado a amadurecer cedo demais.

E aqui entra um dos maiores acertos da produção: o ator que interpreta Michael.

A escolha do elenco poderia facilmente ter dado errado, porque interpretar Michael Jackson talvez seja um dos desafios mais difíceis de Hollywood. Não basta copiar a voz ou os trejeitos; era preciso capturar aquela mistura de genialidade, timidez, sensibilidade e presença de palco absurda que só ele tinha.

E o ator entrega isso de maneira impressionante.

Os olhares, a postura mais retraída fora dos palcos, o jeito delicado de falar e principalmente a transformação completa durante as apresentações fazem tudo parecer muito natural. Em vários momentos, a sensação é de estar assistindo imagens reais recriadas quadro a quadro.

E falando em recriações… algumas cenas são simplesmente absurdas de tão icônicas.

A sequência inspirada em Billie Jean é um dos grandes momentos do filme. Quando as luzes diminuem e o famoso moonwalk acontece, a sala inteira praticamente prende a respiração. O filme entende o peso cultural daquela performance e trata o momento como um verdadeiro evento histórico.

As cenas de Thriller também merecem destaque. Não apenas pela recriação visual impecável, mas porque o filme mostra como Michael pensava cada detalhe artisticamente. Nada parecia ser feito apenas para vender música; ele queria transformar videoclipes em experiências cinematográficas.

E isso fica muito claro.

Outro ponto interessante é como o roteiro tenta aproximar várias cenas daquilo que realmente aconteceu na vida de Michael. O filme constantemente brinca com paralelos entre o artista público e o homem privado. Há momentos inspirados em entrevistas reais, situações envolvendo o assédio da mídia, o isolamento emocional e até o desconforto dele com a própria fama.

Em muitos trechos, dá para perceber referências diretas a acontecimentos conhecidos pelos fãs há décadas.

Claro que, como toda cinebiografia, existem dramatizações e licenças criativas. Algumas cenas claramente são romantizadas para funcionar melhor cinematograficamente. Ainda assim, o filme parece preocupado em manter a essência emocional da história.

E talvez seja justamente isso que faz Michael funcionar tão bem.

Ele não tenta transformar Michael Jackson em um personagem perfeito ou em uma caricatura do “gênio incompreendido”. O longa mostra um ser humano extremamente talentoso, mas também profundamente machucado pela pressão, pela fama e pela exposição constante.

No fim, saí do cinema com aquela sensação rara de ter assistido algo maior do que apenas um filme musical.

Porque Michael não fala só sobre um cantor.

Fala sobre o preço de se tornar uma lenda ainda em vida.

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