Coluna semanal do Edu #05 - os vampiros que se mordam.

Edu Kawasashi14/02/2026
Coluna semanal do Edu #05 - os vampiros que se mordam.

 Já vimos muitos vampiros no cinema e na literatura — alguns bem construídos, outros… de Crepúsculo. Mas, apesar de tudo o que vimos e lemos, toda mitologia apresentada — por pior que pareça — é válida.

    Reinventar algo é manter a essência primordial da ideia que alguém teve enquanto fazia aquilo pela primeira vez.
Fez sentido pra vocês? Pra mim, fez.

    Me propus a vir aqui hoje falar de um vampiro em especial e compará-lo com outros que conheço.
Se você já assistiu Pecadores, acredito que conseguirá acompanhar com mais facilidade. Se é fã de vampiros, também não terá problema.
Mas, se não pertence a nenhum dos dois grupos… bem, já chegou até aqui, então só te resta permanecer.

    O vampiro Remmick trouxe, pra mim, a verdadeira essência do que é ser um vampiro: mau, sádico e cruel. Com ele, tudo se resume a satisfazer seus desejos — custe o que custar, pra quem tiver que custar.
Novamente, espero ter feito sentido.

    Alguns dias atrás, postei nos stories do Bergamota Prime que defenderia a ideia de que esse vampiro, especificamente, pertence ao clã dos Malkavianos, do RPG de mesa Vampiro: A Máscara.
    Bom, vamos lá.

Mas o que Remmick tem de Malkaviano?

    Antes de responder, é bom explicar o que é o clã Malkaviano.

    O Clã dos Malkavianos é um dos treze grandes clãs de vampiros do universo de Vampiro: A Máscara, um jogo de RPG de horror gótico moderno.
Eles são conhecidos por sua loucura profética — cada Malkaviano é afetado por algum tipo de insanidade, mas também possui uma visão única e distorcida da realidade, que às vezes revela verdades que ninguém mais consegue enxergar.

    Apesar de parecerem imprevisíveis, são inteligentes, perceptivos e profundamente astutos, enxergando padrões ocultos no caos.
Sua “loucura” é tanto uma maldição quanto uma forma de iluminação.
O símbolo do clã é o olho aberto, representando a percepção além do comum.
Seu poder de sangue principal é a Demência, disciplina que lhes permite afetar a mente e as emoções de outros — induzindo medo, confusão ou insanidade.

    “Mas Edu, ainda não entendi.”
    Ah, me desculpe — eu só escrevo colunas, não faço milagres.

    Os Malkavi, ou Malks, como às vezes os chamo, são conhecidos por tudo isso que vocês acabaram de ler.
Mas todo vampiro, Malk ou não, compartilha alguns traços.
E não estou falando de beber sangue, fugir do sol ou odiar cruzes — esses são os clichês.
Refiro-me à essência maligna.
Como disse certa vez meu estimado amigo Nelson: Edu, não existe vampiro bom.

    Gênios e loucos, os Malks são ambos.
    Remmick é louco? Talvez.
    Mas, com certeza, é genial.

    Desde o início, vemos suas artimanhas — desde conseguir abrigo até formar um séquito de vampiros sinistros que fariam tudo o que ele mandasse, manipulados por um sutil controle emocional.
Coisa de Malk.
Mas o que mais me chamou atenção foi a habilidade de compartilhar lembranças mentalmente, mostrada mais pro final do filme.

    Os Malkavianos possuem algo chamado Rede da Loucura.
Diz-se que alguns passam toda a sua não-vida sem ouvi-la de fato, enquanto outros têm a sorte (ou azar) de conhecê-la.
Ah, não expliquei o que é a Rede da Loucura, né?
Google, moçada. Brincadeira.

    A Rede da Loucura é algo exclusivo dos Malkavianos — uma espécie de ligação mental entre todos os vampiros do clã espalhados pelo mundo, não restrita a uma região.
No livro de Bram Stoker, é dito que Drácula também possui certos poderes psíquicos que influenciam e enlouquecem suas presas.
Apesar de pertencer ao clã Tzimisce (pelo menos no RPG), Drácula é velho — e a regra é clara:

    Cuidado com um velho num lugar onde se morre jovem.

    Poderes psíquicos são comuns entre vampiros, sim.
Mas Demência não é simples telepatia.
Remmick pode ter usado uma mistura de ambos para manter seus “filhos” — ou companheiros — sob controle.

    Pegando um gancho com Drácula, Remmick demonstra ser antigo.
E com a idade vêm experiência e poder.
Acredito que não vimos tudo do que ele é capaz em seu pouco tempo de tela, mas gostei muito do que vimos.
Rocky Road to Dublin” virou minha música-tema para certos momentos do meu livro, e aquele sorriso inocente dele na porta do pub virou assinatura para alguns vilões que escrevi desde então.

    Aqui não há telepatia propriamente dita, nem previsões do futuro, nem romance bobo entre monstros e adolescentes.
Pecadores é pra quem gosta mesmo de vampiros.

    Realmente espero ter dito algo construtivo nesta coluna.
Sinto vontade de encerrar por aqui — e é exatamente isso que vou fazer.
Mas, confesso, ainda quero voltar a esse assunto em breve.


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