O nascimento do Bergamota Prime e a saga do podcast que quase não existiu.
Lembro como se fosse ontem quando começamos a falar sobre criar um podcast. Era 2019, todo mundo ainda trabalhava junto (não vem ao caso onde), e o Spotify tinha virado nosso cantinho sagrado dos áudios. Eu, particularmente, estava em um relacionamento sério com o Jovem Nerd — e só com ele. Tive uma resistência absurda ao Flow e seus filhotes. Sim, fui esse tipo de chato.
Um dia, o Marcos apareceu na minha sala. Chegou elétrico, empolgadíssimo, naquele estilo dele que me dava vontade de jogá-lo pela janela com todo carinho do mundo. Ele veio com a ideia: “Vamos fazer um podcast!”. A princípio, achei legal. Mas aí ele mandou a fatídica frase:
“Podemos ir na tua casa gravar, Edu.”
Senhoras e senhores, talvez eu pareça um pouco... arrogante? Mas a real é que a ideia de alguém se convidando para ir na minha casa me tirou do sério. Dei um sorriso amarelo, neguei na hora, e bola para frente.
Esqueci completamente esse plano. Mas a vida tem dessas: outros amigos começaram seus próprios podcasts, e confesso que me divertia muito ouvindo. Cheguei até a participar de alguns episódios como convidado. Foi aí que surgiu a maldição de Star Wars — mas essa história fica para outro dia.
Aí veio 2020. Pandemia. Home office. E cortes na empresa onde trabalhávamos. Cada um seguiu seu rumo, e foi nesse silêncio forçado que comecei a repensar algumas coisas. Voltar a fazer um podcast não era exatamente uma novidade pra mim — lá em 2012 e 2014 eu já tinha experimentado esse rolê. Mas dessa vez... seria diferente.
Em agosto daquele mesmo ano, o Marcos voltou à carga. Apareceu com a ideia de um podcast sobre nerdices, cultura pop, essas coisas que a gente ama. E trouxe junto o nome de três pessoas que eu nunca tinha ouvido falar na vida — e, honestamente, nem queria. Até conhecer. E mudar de ideia.
“Precisamos de um nome que tenha algo de gaúcho”, ele falou. E lá fomos nós naquela típica tempestade de ideias digna de uma comédia:
Cacetinhocast (sim, isso foi cogitado),
Podcast dos Guris (meh… nem todos éramos guris).
Foi aí que, durante uma chamada de áudio pelo WhatsApp, olhei para foto de perfil do Marcos e soltei:
“Bergamota.”
E ele, sem perder o timing:
“Prime.”
E assim nasceu o Bergamota Prime. No susto, na brincadeira e com zero glamour. Mas com muita vontade de fazer algo nosso, com a nossa cara, nosso sotaque e nosso jeitinho de falar bobagem com propriedade.
Edu Kawasashi
Escritor, podcaster e
bom moço por natureza.
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